O AortaTalks, evento pioneiro realizado pelo Grupo IVA, chega à sua segunda edição no próximo dia 29 de Março. Conversamos com o presidente do evento, o Cirurgião Vascular e Endovascular Dr. André Brito, sobre as novidades e os destaques do segundo ano do evento. Confira!
Aorta Talks – Depois do evento de estreia, o que esperar deste segundo ano de AortaTalks?
Dr. André Brito – A segunda edição do AortaTalks vem este ano mais madura e robusta. Ouvimos muito os participantes da primeira edição, todos os palestrantes, debatedores, ouvintes e estudantes. Fizemos questão de entender de cada um o que eles estavam esperando do evento e o que eles receberam. Todos os feedbacks foram muito positivos, mas a gente entende que sempre há margem para avaliar e melhorar. Então, um dos pontos fortes do nosso evento está mantido nesta segunda edição, que é a multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade. Essa prática de conversar e absorver um pouco das outras especialidades, aproximando-as, e também mostrar que esse link entre os especialistas é fundamental para que a gente possa oferecer um resultado melhor.
Além disso, sentimos que o congresso não é simplesmente uma transmissão de informação num sentido único. Estamos focados em promover e aprimorar os debates, as discussões, as perguntas e tirar as dúvidas. Isso para a gente é extremamente importante. Tem uma coisa que eu acho que a Bahia é realmente diferenciada, que é aproximar as pessoas, essa parte do calor humano, do povo amistoso e a facilidade com que recebemos o colega que vem de fora, como a gente transmite muita pessoalidade, facilidade na comunicação. Isso também está presente no AortaTalks, de forma que o convidado se sente à vontade e a conversa flui com mais proximidade. Esse foi um diferencial importante na nossa edição de estreia e vamos aprimorar ainda mais esse ano.
AT – Como foi pensada a programação da segunda edição?
AB – Desde a primeira edição, o nosso cronograma tem sido trabalhado com bastante cuidado, tentando abranger todas as áreas. Anatomicamente, a Aorta é dividida da raiz, muito perto do coração, passando pelo arco da Aorta, que libera os ramos para o nosso pescoço, para o cérebro, para os membros superiores, depois tem a aorta torácica, passando por toda a caixa torácica até chegar no abdômen, e depois lá se divide em artérias e líquidos. Então, usamos isso como parâmetro para fazer essa divisão anatômica e tentar aproximar um pouco do que a gente fala. Nossa escala está, portanto, dividida em “Aorta Ascendente”, como primeiro módulo, seguida por “Arco Aórtico”, depois a gente conecta todas as especialidades numa sessão muito interessante chamada o “O Time de Aorta”, depois temos “Aorta Torácica e Toracoabdominal”, na sequência “Aorta Abdominal e Ilíacas”. Com esse formato conseguimos abranger todos os pontos anatômicos da Aorta e, dentro de cada área de foco, conseguimos abranger também cada uma das especialidades. O formato funcionou muito bem na primeira edição e foi mantido para esse segundo encontro.
AT – O AortaTalks deste ano traz palestrantes internacionais? Em caso positivo, pode falar um pouco sobre eles?
AB – Nos últimos anos, a conectividade, a internet, as comunicações, a tecnologia têm feito a medicina de uma forma geral, e particularmente a cirurgia – e aqui eu falo mais especificamente da Cirurgia de Aorta -, evoluir de forma muito rápida. Verdadeiras revoluções têm acontecido nos últimos anos e o que foi aprendido há cinco ou dez anos já está bem diferente. Em um evento como esse temos o compromisso de trazer o que há de mais novo, avançado e moderno e fazer isso sem perder a realidade, não simplesmente falando de coisas abstratas. Esse é um dos nossos propósitos. Pensando nisso, a gente está trazendo esse ano um profissional de Aorta respeitado no mundo inteiro, o Dr. Mariano Ferreira, que tem um trabalho extenso e bem importante em Cirurgia Endovascular. Ele é um dos pioneiros e teve um contato muito próximo com as primeiras endopróteses que foram desenvolvidas justamente na Argentina. Ele vai falar um pouco dessa evolução e da história da Cirurgia de Aorta. Uma palestra muito esperada por todos. O evento traz também convidados nacionais que são expoentes e de renome internacional, que são ouvidos no mundo todo. Então, a expectativa é muito grande para um evento de excelência.
AT – Além de convidados internacionais, quem seriam os profissionais de fora da Bahia a serem destacados que participam do evento este ano?
Temos um foco muito grande em falar sobre nossa realidade, coisas que estão próximas a nós e que a gente pode modificar, melhorar, por isso, o AortaTalks é um evento com alguns convidados nacionais e internacionais, mas é um evento focado na nossa região, no Nordeste, na Bahia, e, particularmente, em Salvador, e a gente tem trazido colegas de todo o Brasil para falarem sobre a sua experiência e tentarem fazer a gente evoluir por aqui. Alguns expoentes nacionais em cirurgia de Aorta estarão conosco e eu destacaria, por exemplo, o professor Fábio Jatene, que é professor titular de cirurgia cardíaca no INCOR, Instituto do Coração, unidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, uma pessoa que representa a ciência de forma muito importante e estamos muito felizes em trazê-lo. No lado da cirurgia vascular, teremos o professor Nelson de Luccia, da USP, do Hospital das Clínicas. A gente traz também outras pessoas extremamente conectadas com a área acadêmica, como o professor Edwaldo Joviliano, que está vindo de Ribeirão Preto, algumas pessoas que já estiveram conosco como a Dra. Grace Mulatti, Dr. Marcos Cury, Dr. Jong Hun Park, que é uma pessoa extremamente diferenciada, tem muitos amigos aqui na Bahia. Também o Dr. Pierre Galvagni, uma pessoa que respira inovação e faz parte do desenvolvimento de diversos dispositivos na área de endovascular. Receberemos também o Dr. Rodrigo Bernardes, de Minas Gerais, cirurgião pioneiro em diversas áreas e está vindo mais uma vez para mostrar técnicas inovadoras e totalmente factíveis de realizar. O Dr. Vagner Madrini, um dos destaques no nosso evento no ano passado, Dr. Gutemberg Gurgel, Dr. Eduardo Pessoa de Melo, que vem de Recife, além de muita gente importante da Bahia, de Salvador e cidades do interior, que também estão compondo a nossa programação.
AT – Há algum estudo ou pesquisa mais recente importante na área que possamos destacar?
AB – Os estudos na área de Cirurgia da Aorta estão em desenvolvimento constante e, por isso, a atualização é muito importante entre os profissionais médicos. Também por esse motivo, a área científica é um dos pontos de destaque do AortaTalks. Teremos por aqui os professores mais renomados ligados à área acadêmica do Brasil, já citados aqui, como Dr. Fábio Jatene, Dr. Nelson de Luccia, Dra. Grace Mulatti, Dra. Vanessa Prado e, além disso, posso destacar aqui como palestrante, em meio a esses grandes nomes, o Dr. Miguel Fernandes, um acadêmico que está próximo a se formar em medicina mas que é muito ligado à área de cirurgia vascular. Esse ano, ele é o primeiro autor de um trabalho importantíssimo na área de cirurgia vascular que compara cirurgias endovasculares e de aneurisma tóraco abdominal, num tempo único e estagiado, mostrando a diferença disso em relação ao desfecho e à isquemia medular. O artigo foi publicado no Journal of Vascular Surgery e envolveu cirurgiões de diversos países, autores aqui da Bahia, onde eu me incluo, e estamos muito orgulhosos de colocar um acadêmico, um trabalho genuíno, produzido por brasileiros em conexão com pessoas de outro mundo, entre a nossa programação, em primeira mão. Isso diz muito sobre o propósito do evento.
AT – Em termos estatísticos recentes, saberia dizer como o Brasil se posiciona em relação às doenças da Aorta? E com relação à evolução de tratamentos aplicados por aqui?
AB – As doenças da Aorta são prevalentes no mundo inteiro. São doenças graves, com elevado risco de vida, ou seja, uma mortalidade alta. Envolvem principalmente os idosos, mas existem muitas doenças também em pessoas jovens. O Brasil tem participado ativamente de campanhas de conscientização, como “Pense Aorta” e tem sido destaque também na evolução e em técnicas de cirurgia vascular e endovascular por muitos anos. Eu destaco aqui publicações de brasileiros. Esse ano, por exemplo, o AortaTalks tem o orgulho de trazer em sua programação o cirurgião vascular Pierre Galvagni, que é uma pessoa extremamente criativa e que está desenvolvendo um novo dispositivo, uma endoprótese, e vai mostrar um pouco disso para a gente. A participação dele no evento é baseada em inovações na Cirurgia de Aorta. Ele é um exemplo claro de destaque de profissionais brasileiros no desenvolvimento de alternativas de tratamento. O brasileiro tem uma forma de pensar “fora da caixa”, uma maneira de lidar com as situações, de resolver os problemas, muito particular. Isso aplicado à cirurgia de Aorta tem sido um destaque. Falaremos sobre inovação, sobre futuro, tecnologia. Acreditamos que esse é o nosso principal papel, conectar cirurgiões, novos dispositivos e público.