O AortaTalks, iniciativa pioneira promovida pelo Grupo IVA, realiza sua terceira edição no próximo dia 14 de março. Em conversa com o presidente do encontro, o cirurgião vascular e endovascular Dr. André Brito, falamos sobre as principais novidades e os grandes destaques deste novo ano do evento. Confira!
Aorta Talks – O AortaTalks chega à sua terceira edição se consolidando como um dos principais encontros da área. O que simboliza esse momento para o Grupo IVA?
Dr. André Brito – A realização do terceiro AortaTalks representa a consolidação daquilo que sempre buscamos. Em primeiro lugar, a solidez científica do evento que, para nós, é fundamental. Ela traduz o compromisso com a atualização constante, com a incorporação do que há de mais moderno e, sobretudo, com a prática mais correta dentro da nossa área. Em segundo lugar, está a dimensão social, que nos permite manter e ampliar conexões com profissionais do Brasil e do exterior que desenvolvem trabalhos semelhantes aos nossos. Essa troca é essencial para o crescimento coletivo e para o fortalecimento da especialidade.
Por fim, há o pilar da assistência, que é o que nos conecta diretamente à nossa realidade. O evento não teria alma nem propósito se não estivesse ancorado no que vivemos diariamente, no cuidado com os nossos pacientes, na busca permanente por oferecer o que há de mais atual, de primeira linha e de excelência. Esses três fatores — ciência, conexão entre médicos e assistência — sintetizam o momento que vivemos e dão sentido ao AortaTalks, fazendo dele um encontro verdadeiramente relevante para a nossa prática.
AT – Depois de duas edições de sucesso, quais são as principais novidades deste terceiro ano? Houve ampliação de formato, ou do escopo científico?
AB – Chegamos à terceira edição mais maduros, tendo aprendido com alguns erros do passado, mas também com a certeza de que a nossa fórmula é consistente e bem-sucedida. A essência do evento continua sendo a multidisciplinaridade, aliada a uma abordagem que não se distancia da realidade. Não queremos discutir temas inalcançáveis ou desconectados do dia a dia; falamos de situações concretas, com profissionais que compartilham uma linguagem e desafios semelhantes aos nossos.
Neste ano, contamos ainda com a presença de um convidado muito especial para o grupo. O Dr. Bernardo Mendes, que vem de Los Angeles, mantém laços de amizade e colaboração científica com alguns integrantes da nossa equipe. Tentamos trazê-lo desde a primeira edição, mas, por questões de agenda, não foi possível. Agora, finalmente, celebramos com muita felicidade a confirmação da sua participação.
AT – 4) A programação mantém a divisão anatômica que marcou as edições anteriores? Que temas AortaTalks destaca este ano e por quê?
AB – A divisão anatômica que estruturamos — começando na raiz da aorta e seguindo até a sua bifurcação, contemplando a aorta ascendente, o arco aórtico, a aorta torácica, a toracoabdominal, a abdominal e as ilíacas — tem se mostrado uma fórmula de sucesso. Esse modelo organiza o congresso de maneira lógica e racional, facilitando a compreensão da sequência das apresentações e tornando o conteúdo mais didático tanto para os palestrantes quanto para o público.
Entre os destaques deste ano, teremos inovações importantes na cirurgia cardíaca e nas discussões do time de aorta. Também vamos abordar perspectivas de futuro em diferentes frentes, explorando o que está por vir na especialidade. Falaremos sobre inteligência artificial e acompanharemos de perto as transformações e avanços que vêm impactando diversas áreas da prática médica.
AT – O AortaTalks tem se destacado pela promoção de debates e troca de experiências. Como a terceira edição pretende aprofundar ainda mais essa interação entre palestrantes e participantes?
O grande diferencial do nosso evento é termos compreendido que ele não pode se limitar à simples transmissão de informação. Não se trata apenas de uma aula ou de uma palestra de um profissional para outro. Temos valorizado o diálogo, reservando tempo adicional e incentivando ativamente o debate entre plateia, palestrantes e moderadores. Essa interação se tornou uma marca muito forte do AortaTalks. A troca de experiências, os relatos sobre o que acontece em diferentes regiões, estados e países enriquecem enormemente as discussões. As pessoas se sentem à vontade para participar, questionar e compartilhar vivências, e isso tem tornado o evento especialmente dinâmico e relevante.
AT – Em termos de convidados, a terceira edição amplia a presença de nomes nacionais e internacionais? Pode destacar alguns perfis e as contribuições que eles trazem para o debate?
AB – Contamos com convidados de diversas regiões do país e também com participação internacional. A prioridade do nosso evento é reunir palestrantes que tenham real domínio dos temas que abordam e que sejam, de fato, referências em suas áreas de atuação. É difícil citar todos, mas temos representantes do Nordeste, o que para nós é motivo de grande orgulho, além de colegas de Salvador que estão ao nosso lado, desenvolvendo um trabalho de excelência, como o Dr. Rodrigo Landim e o Dr. André Pinheiro.
Entre os destaques, teremos a presença do atual presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, o professor Edivaldo Joviliano, além do ex-presidente da Sociedade, Dr. Júlio Peclat. Também contamos com outros ex-presidentes e nomes de grande relevância nacional, incluindo professores titulares da Universidade de São Paulo. Faço um destaque especial ao professor Fábio Jatene, que mais uma vez falará sobre o futuro da cirurgia cardiovascular, e ao professor Nelson De Luccia, referência na cirurgia vascular da USP.
É realmente desafiador mencionar todos os nomes, mas cada convidado é reconhecido como autoridade em sua área. Receberemos ainda o Dr. Bernardo Mendes, que vem de Los Angeles. Ele é uma referência internacional, com inúmeras publicações e atuação nos principais centros do mundo. É um orgulho para o Brasil na cirurgia vascular e compartilhará conosco um pouco da sua experiência e trajetória.
AT – A inovação e a tecnologia são pilares importantes na cirurgia de Aorta. Quais avanços recentes estarão no centro das discussões deste ano? Como avalia o cenário atual da cirurgia vascular e endovascular na Bahia? O estado acompanha os avanços observados nos grandes centros do país?
Esse é um tema extremamente relevante. A atualização tecnológica é contínua e, ao realizarmos um evento anual, com data e público já consolidados, conseguimos perceber de forma muito clara como a evolução é constante e como, a cada edição, surgem novos temas e novas abordagens a serem discutidas.
Acredito que temos colocado o AortaTalks em uma posição de destaque como espaço de atualização dentro desse cenário. As inovações em dispositivos e próteses acontecem ano após ano, e estaremos debatendo muitas delas, tanto na cirurgia cardíaca quanto na cirurgia vascular, além de avanços em áreas como proteção cerebral e proteção visceral.
Entendemos que a Bahia, o Nordeste e Salvador precisam estar inseridos de forma ativa nessa evolução. Hoje já contamos com dispositivos de ponta, disponíveis nos melhores centros do mundo, e que também estão acessíveis aqui na Bahia. Isso é fruto do empenho de diversos médicos e do apoio da indústria de dispositivos médicos. Podemos afirmar que a Bahia ocupa atualmente uma posição de protagonismo, com capacidade de realizar procedimentos comparáveis aos dos principais centros da Europa e dos Estados Unidos. Temos consciência de que há uma missão importante nesse processo que é a de manter a atualização, fomentar o debate e garantir que essa evolução continue acontecendo.
AT – E no panorama nacional, como o Brasil se posiciona hoje em relação à pesquisa, desenvolvimento de dispositivos e aplicação de novas técnicas no tratamento das doenças da Aorta?
AB – Essa pergunta é interessante, porque o Brasil sempre esteve na ponta do desenvolvimento de dispositivos na área de doenças cardiovasculares, especialmente nas patologias da aorta. Contamos com indústrias genuinamente nacionais que produzem tecnologia de alta qualidade, além de médicos extremamente criativos e inovadores, que participam ativamente do registro de patentes e do desenvolvimento de próteses e soluções técnicas. Inclusive, alguns desses profissionais estarão conosco nesta edição do evento. O cirurgião brasileiro da área de aorta é amplamente respeitado no cenário internacional, seja pelos nomes que atuam no país, seja por brasileiros que exercem papel de protagonismo no exterior, como é o caso do Dr. Bernardo Mendes, que estará presente conosco. Portanto, o Brasil não apenas acompanha essa evolução, mas participa dela de maneira ativa e relevante, contribuindo para o avanço global da cirurgia da aorta.